20 outubro 2017

Dor

Incêndio no histórico Pinhal de Leiria, um dos muitos incêndios florestais ocorridos em Portugal no passado domingo, 15 de outubro de 2017, de que resultaram mais de 40 mortos, centenas de feridos e milhares de desalojados. A povoação que se vê em primeiro plano é a vila de Vieira de Leiria, que o fogo não atingiu (Foto: Hélio Madeiras)

Uma dor assim, se tivesse podido prevê-la saberia suportá‑la.
Virgílio (70 A.C.–19 A.C.), poeta romano

15 outubro 2017

Sousa Lopes


Num Jardim de Paris, c. 1904-10, óleo sobre madeira de Adriano de Sousa Lopes, Museu Nacional de Arte Comtemporânea do Chiado, Lisboa, Portugal


Adriano de Sousa Lopes (1879–1944) foi um eclético pintor e desenhador português, cuja obra oscilou entre o impressionismo e um certo academismo. Participou na 1.ª Guerra Mundial como oficial encarregado de representar graficamente a participação das tropas portuguesas nesse conflito, do que resultou um conjunto de notáveis gravuras a água forte, a que deu o nome de Portugal na Grande Guerra. Além das imagens de guerra, Sousa Lopes pintou e desenhou temas dos mais diversos tipos, como retratos, paisagens, naturezas mortas, cenas históricas, etc.


Caçador de Águias, 1905, óleo sobre tela de Adriano de Sousa Lopes, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa, Portugal


A Blusa Azul, c. 1920, óleo sobre tela de Adriano de Sousa Lopes, Museu de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa, Portugal

13 outubro 2017

Mais música vintage de Angola


Belita Palma, que faleceu em 1988 e foi uma das maiores divas da música popular angolana, interpreta duas canções, uma em quimbundo e outra em português, acompanhada pelo mítico conjunto Ngola Ritmos


Tchinina, cantora natural do Huambo, interpreta em umbundo Somaiangue (Soma Yange na ortografia atual)


A endiabrada Bazooka, de Carlos Lamartine e o seu conjunto Águias Reais. Certamente por razões políticas, no tempo colonial os discos de Carlos Lamartine não passavam na estação de rádio oficial A Voz de Angola. Só no Rádio Clube de Angola era possível ouvi-los. Depois do 25 de abril, com o fim da censura, Carlos Lamartine passou a poder ser tocado em todas as rádios e viu a sua canção Pala Ku Nu Abesa o Muxima tornar-se imediatamente um grande êxito


Manuelé, cantado em quimbundo por Sabu. Tal como aconteceu com Carlos Lamartine, Sabu estava proscrito da rádio oficial A Voz de Angola na época colonial. Era preciso sintonizar o Rádio Clube de Angola para que se pudesse ouvir a sua voz


Milá Melo, que foi outra diva da música popular de Angola, canta em umbundo Vamos à Anhara, acompanhada pelo conjunto Os Kiezos. Anhara ou chana é uma extensa superfície plana, arenosa e alagadiça, muito comum no leste de Angola

10 outubro 2017

Zero em comportamento



Zéro de conduite: Jeunes diables au collège, filme de Jean Vigo (1905–1934), rodado em 1932 e estreado em 1933


Agora que as aulas estão a funcionar em pleno, parece-me ser esta a ocasião indicada para vermos o filme "Zéro de Conduite", do cineasta francês Jean Vigo, falecido em 1934 com apenas 29 anos de idade. Este filme foi por muitos considerado anarquista, por incitar os alunos das escolas e colégios de França à indisciplina e à rebeldia, segundo diziam. Foi proibido pela censura até 1946, como sendo um filme «antifrancês». Esta proibição não impediu que o filme fosse exibido frequentemente nos cineclubes da Bélgica.

"Zéro de Conduite" é um filme marcante, que tem um lugar merecido na história do cinema. Foi rodado em 1932 no colégio para rapazes de Saint-Cloud, nos arredores de Paris, que o próprio realizador frequentou durante parte da sua infância.

No filme, terminadas as férias, os rapazes regressam ao colégio, que é um lugar sombrio e repressivo, onde eles são tratados severamente pelos professores, que lhes atribuem a nota zero em comportamento e os privam de liberdade e de criatividade. Um novo vigilante do colégio, chamado Huguet, torna-se aliado e cúmplice dos rapazes, que desencadeiam uma revolta por ocasião da festa do colégio. O filme termina com os rapazes caminhando livres pelos telhados da repressiva instituição.

06 outubro 2017

A saia de esquilhas


No Algarve (Foto de autor desconhecido)

Um homem rico tinha três filhas, e costumava ir passar o verão com elas para o campo; ao voltar para a corte ficou a filha mais velha, que era muito esperta, encarregada de arranjar a bagagem. Depois de ter tudo arrumado e pronto para partir, foi ter com a caseira da quinta, que andava no arranjo da sua casa. Em cima de uma caixa estava uma roca com estopa, e a menina pegou nela para se entreter:

— Menina, não pegue nessa roca; pode meter alguma pua pelas unhas, e olhe que faz grandes dores.

A velha continuou a governar a sua casa, quando sentiu um grito; veio ver o que era. Era a menina que tinha caído desmaiada, sem sentidos. Deu-lhe a cheirar alecrim, alfazema, mas ela não voltava a si. Apoquentada com aquela desgraça, escondeu a menina, e logo que anoiteceu foi deitá-la na tapada real; pôs-lhe uma almofada para recostar a cabeça e cobriu-a com uma manta, fingindo que estava ali a dormir. Passado outro dia foi lá ver se a menina teria dado acordo de si. Nada. Calou-se muito calada e voltou para sua casa.

O príncipe costumava sempre andar à caça, e num dia recolheu-se áquela tapada, porque lhe anoiteceu depressa; mas foi grande o seu espanto quando descobriu ali uma menina muito formosa, a dormir, sozinha. Esteve primeiro a olhar para ela muito tempo; já se sentia apaixonado, e quis acordá-la; ela estava corada e risonha, mas não se movia. O príncipe quis acordá-la, porque bem conhecia que não estava morta, queria-lhe falar. Foi tudo impossível. Ali ficou junto dela, e todas as vezes que podia, fingia que ia para a caça, mas não fazia senão vir sentar-se para o pé da menina que ele já amava com loucura. Só o criado que o acompanhava é que sabia do segredo. O príncipe vinha à corte de fugida só quando era preciso, e tornava para a tapada, onde guardava a menina adormecida, que ainda assim veio a ter três filhos.

As crianças foram crescendo, e cada vez se tornavam mais encantadoras; mas o príncipe tinha uma grande pena de a mãe estar naquele estado. Um dia, andando um dos pequeninos a brincar em cima da cama, começou a pegar nas unhas da mãe, e por acaso, sem saber como, fez-lhe saltar da unha a pua que causara aquela doença. O príncipe, que estava ali, ficou maravilhado por vê-la mexer-se logo e começar a falar e a beijar os filhos, como se tivesse voltado à vida. O príncipe contou-lhe tudo como se tinha passado até ali, e disse-lhe que os seus três filhos se chamavam Cravo, Rosa e Jasmim. A rainha já andava desconfiada daquelas ausências do filho, e tratava de ver se descobria alguma coisa.

Uma ocasião o príncipe teve de ir a uma grande feira, e perguntou à sua namorada se queria que lhe trouxesse de lá alguma coisa; depois de muitas instâncias sempre disse:

— Pois traz-me de lá uma saia de esquilhas.

Não havia lá isso, mas o príncipe mandou-a fazer de propósito; era uma saia cheia de guisos, que tintelintavam. A menina ficou muito contente com a lembrança. Mas a rainha que maquinava a sua vingança, e que pelo pajem que acompanhava o filho já sabia tudo, fez com que o príncipe se demorasse muitos dias na corte. O filho com medo do génio ruim da rainha não dizia nada, mas andava cheio de saudades; foi de uma vez que ela lhe ouviu um suspiro:

— Ai de mim,

Cravo, Rosa e Jasmim.

Isto lhe confirmou a verdade; a rainha chamou o pajem e disse-lhe:

— Vai já, quando não mando-te matar, e traz-me aqui o menino Cravo. Diz lá á minha nora que é ordem do príncipe, que me contou tudo.

O pajem trouxe o menino; mas a velha rainha entregou-o à criada, dizendo:

— Ensopa-me esse menino para o jantar.

Quando o filho estava jantando, e com fastio, porque andava muito triste, a mãe disse-lhe:

— Come, come, que teu é.

Passados dias a rainha deu ordem ao pajem para ir buscar a menina Rosa. Seguiram-se as mesmas coisas. Depois deu ordem para lhe trazer o menino Jasmim. O príncipe já andava doente, e a velha rainha dizia-lhe sempre à mesa:

— Come, come, que teu é.

Por fim, não contente ainda desta vingança, mandou dizer à nora, que viesse à corte, porque a queria casar com o seu filho. A menina que já andava morta de saudades, por se ver sem os seus filhos, vestiu-se à pressa com a sua saia de esquilhas, e partiu para a corte. A rainha estava à espera dela e assim que a viu, deixou-a entrar para um corredor, e lançou-lhe as unhas furiosa para a afogar. A menina lutou para ver se lhe escapava, e quanto mais lutava, mais barulho fazia a saia de esquilhas.

O príncipe, que estava de cama, assim que ouviu aquele som lembrou-se de sua mulher e levantou-se para ir ver o que era. Viu a rainha querendo estrangular a nora. Chamou gente; e foi então que se soube das ordens que a rainha tinha dado para matarem os netos. O príncipe ainda ficou mais aflito e começou a gritar:

— Ai de mim,

Cravo, Rosa e Jasmim!

Foi então que a criada da cozinha disse que não tinha cumprido as ordens da rainha, e que tinha escondido os meninos. A rainha foi condenada, e o pajem sentenciado à morte, e a cozinheira em paga foi feita dama da nova rainha.

Conto tradicional do Algarve, in Contos Tradicionais do Povo Português, por Teófilo Braga

29 setembro 2017

O Mundo à Noite 2017

Fotografia vencedora da categoria Beleza do Céu Noturno — Categoria principal, feita no deserto de Huacachina, no Peru, por Camilo Jaramillo, da Colômbia. No céu, ao meio, ergue-se a majestosa Via Láctea. Mais abaixo, próximo do horizonte, vê-se a Lua e, à esquerda desta, o planeta Vénus


The World At Night (O Mundo à Noite) é um concurso internacional de fotografia que se realiza todos os anos sob os auspícios de uma organização chamada Astronomers Without Borders. Este ano teve lugar a 8.ª edição deste concurso, que contou com a participação de mais de mil imagens, feitas por fotógrafos de 65 países e territórios diferentes. Estas e outras fotografias podem ser vistas na página oficial do concurso.


Fotografia vencedora da categoria Contra as Luzes — Categoria principal. Os astrónomos abominam a poluição luminosa, produzida pelas iluminação artificial dos espaços urbanos, mas esta iluminação presta-se também a belíssimas fotografias. Aqui se pode ver a cidade de Bruxelas, fotografada do ar pelo piloto aviador Ulrich Beinert, da Alemanha


Fotografia vencedora da categoria Beleza do Céu Noturno — Categoria compósita, feita no Lago Duolin, Mongólia Interior, China, por Haitong Yu, também da China. Várias imagens sobrepostas mostram-nos uma "chuva" de estrelas cadentes, chamadas Perseidas por parecerem provir da constelação de Perseu


Fotografia vencedora da categoria Contra as Luzes — Categoria compósita, por Nicholas Römmelt, da Alemanha. Aqui podemos ver uma escalada noturna nas proximidades da queda de água Lehner, sobre o vale chamado Öztal, Áustria


Fotografia vencedora da categoria Beleza do Céu Noturno — Câmara Rápida e Sequência, feita na Sicília por Dario Giannobile, da Itália. Em primeiro plano, um espelho virado para Norte reflete o céu noturno em torno da Estrela Polar. Os arcos que se veem na imagem, tanto em primeiro como em último plano, resultam de um longo tempo de exposição da câmara fotográfica e mostram as estrelas no seu movimento aparente, à medida que a Terra vai girando em torno do seu eixo no seu movimento de rotação. O arco mais pequeno que se vê no centro do espelho é a própria Estrela Polar, que não indica rigorosamente o Norte, mas apenas muito aproximadamente


Fotografia vencedora da categoria Contra as Luzes — Câmara Rápida e Sequência, feita por Amirreza Kamkar, do Irão, no Parque Nacional Chitwan, Nepal. Os riscos verdes que se veem em primeiro plano foram produzidos por pirilampos


Fotografia vencedora da categoria A Beleza do Céu Noturno — Auroras Boreais e Austrais, feita na Ilha Senja, Noruega, por Nicholas Römmelt, da Alemanha


Fotografia vencedora da categoria Contra as Luzes — Auroras Boreais e Austrais, feita por Sigurður William Brynjarsson, da Islândia

25 setembro 2017

Morte na picada

ao José Gouveia
11-01-1971

O silêncio ouvia-se no ondular do capim
As aves emigravam antes de tempo
O ar não tinha cheiro
Cada palmo de picada era um segredo
Bem longe bebia-se whisky no jardim
Mas no mato a vida era um mísero momento
Seis tábuas a acolher o teu corpo
Se ficasses inteiro
Honras depois de morto
Uma medalha póstuma para calar o teu medo
E foste a enterrar com a raiva como mortalha
E até pensaram que morreste contente
Um funeral com a presença de uma alta patente
E um discurso a dizer que caíste de pé, como uma muralha
Eu fui e voltei
Maldizendo a hora em que não desertei
Uma mina fez crescer a minha revolta
Ao ver-te morto ali mesmo a meu lado
Um bom amigo, mas outro pobre soldado
Que é obrigado a ir e que não volta.
O fumo era muito mas deu para ver a tua dor
O ar tinha o aroma ácido do trotil
Embaciava o teu olhar sem vida a dizer adeus
O teu sangue a borbotar sem nada poder fazer
E senti ódio, sim, ódio, raiva, rancor
Ao ver a tua mão trémula a acariciar o fuzil
De que lado estavas tu, Deus
Que deixaste que nos treinassem para morrer?
31 de dezembro de 2003

Carlos Luzio (1947– 2004), ex-alferes miliciano em Moçambique, in Pescador de Sonhos (Poemas de Guerra), edição póstuma, 2005


Era assim, com a desumana frieza de um telegrama entregue por um estafeta dos CTT, que o regime fascista transmitia, aos familiares dos combatentes portugueses na guerra colonial em África, a notícia da morte do seu filho, irmão, marido ou o que quer que fosse o seu grau de parentesco. Quantas mães, muitas delas analfabetas, receberam um telegrama igual a este. Sobressaltadas, iam a correr chamar uma vizinha que soubesse ler, com o coração apertado, mais pequeno do que uma ervilha, adivinhando já o conteúdo do telegrama. A vizinha, que só tinha a terceira classe, lia-lhe (ou melhor, soletrava-lhe), com a voz embargada, a brutal notícia: «Sua Ex.cia Ministro do Exército tem pesar comunicar falecimento seu filho soldado (…) ocorrido dia 3 corrente Moçambique por motivo combate defesa da Pátria. Sua Ex.cia apresenta mais sentidas condolências. Comandante Depósito Geral Adidos Lisboa».

21 setembro 2017

Demarcação, já!

Canção a favor da demarcação das terras indígenas no Brasil, gravada numa ocasião em que os direitos dos índios brasileiros são seriamente postos em causa. Por exemplo, foi noticiada muito recentemente a provável chacina de um grupo de índios não-contactados na Amazónia

18 setembro 2017

Um cachimbo angolano

Cachimbo, de um escultor impossível de identificar, da província de Benguela, Angola. Existe, no boné da figura masculina, uma assinatura ilegível, que é certamente a assinatura do artista. As cabeças das figuras mexem-se. Real Museu da África Central, Tervuren, Bélgica

16 setembro 2017

Prémios Ig Nobel 2017

Desta, nem Erwin Schrödinger se lembrou: um gato pode ser sólido e líquido ao mesmo tempo? (Foto: g-stockstudio/iStockphoto)

Existem os prémios Nobel, cujos galardoados para 2017 só serão conhecidos lá mais para o fim do ano, e existem os prémios anti-Nobel, chamados prémios Ig Nobel, cujos galardoados foram agora tornados públicos, numa cerimónia ocorrida no Teatro Sanders da Universidade de Harvard, Estados Unidos, no dia 14 de setembro de 2017. Durante a cerimónia foi estreada uma ópera chamada Ópera da Incompetência, sobre o princípio de Peter e o efeito de Dunning-Kruger, que tentam explicar porque é que as pessoas incompetentes atingem o topo da carreira. Os galardoados com o prémio Ig Nobel 2017 receberam um prémio de 10 biliões de dólares do Zimbabwe, cujo valor real é de alguns cêntimos.

Os prémios Ig Nobel são atribuídos todos os anos pela revista humorístico-científica Annals of Improbable Research, que tem como lema «Investigação que faz rir primeiro e pensar depois». Os galardoados com o prémio Ig Nobel 2017 foram os seguintes:

Prémio Ig Nobel 2017 da Física — Marc-Antoine Fardin, por se servir da dinâmica dos fluidos para resolver a questão "Poderá um gato ser sólido e líquido ao mesmo tempo?";

Prémio Ig Nobel 2017 da Paz — Milo Puhan, Alex Suarez, Christian Lo Cascio, Alfred Zahn, Markus Heitz e Otto Braendli, por demonstrarem que tocar um didgeridoo (instrumento de sopro dos aborígenes australianos) é eficaz no tratamento da apneia obstrutiva do sono e no ressonar;

Prémio Ig Nobel 2017 da Economia — Matthew Rockloff e Nancy Greer, pelas suas experiências a respeito da influência do contacto com um crocodilo vivo sobre a vontade de participar em jogos de azar;

Prémio Ig Nobel 2017 da Anatomia — James Heathcote, pelo seu estudo médico "Porque é que os homens idosos têm orelhas grandes?";

Prémio Ig Nobel 2017 da Biologia — Kazunori Yoshizawa, Rodrigo Ferreira, Yoshitaka Kamimura e Charles Lienhard, pela sua descoberta de um pénis feminino e uma vagina masculina em insetos de uma caverna;

Prémio Ig Nobel 2017 da Dinâmica dos Fluidos — Jiwon Han, por estudar a dinâmica do derrame de líquidos, ao descobrir o que acontece quando uma pessoa anda para trás com uma chávena de café na mão;

Prémio Ig Nobel 2017 da Nutrição — Fernanda Ito, Enrico Bernard e Rodrigo Torres, pelo primeiro relato da existência de sangue humano na dieta dos morcegos vampiros de pernas peludas;

Prémio Ig Nobel 2017 da Medicina — Jean-Pierre Royet, David Meunier, Nicolas Torquet, Anne-Marie Mouly e Tao Jiang, por utilizarem uma tecnologia avançada de imagiologia cerebral para medirem até que ponto algumas pessoas não gostam de queijo;

Prémio Ig Nobel 2017 da Cognição — Matteo Martini, Ilaria Bufalari, Maria Antonietta Stazi e Salvatore Maria Aglioti, por demonstrarem que muitos gémeos idênticos não conseguem distinguir-se visualmente entre si;

Prémio Ig Nobel 2017 da Obstetrícia — Marisa López-Teijón, Álex García-Faura, Alberto Prats-Galino e Luis Pallarés Aniorte, por mostrarem que um feto humano reage mais fortemente à música tocada eletromecanicamente dentro da vagina da mãe, do que à música tocada eletromecanicamente sobre a barriga da mãe. Ao seu dispositivo musical vaginal puseram o nome de "babypod".

09 setembro 2017

Peguei na Serra da Estrela

Peguei na Serra da Estrela
para serrar uma cadeira
e apanhei um nevão
numa serra de madeira.

Com as linhas dos comboios
bordei um lindo bordado,
quando o comboio passou
o pano ficou rasgado.

Nas ondas do teu cabelo
já pesquei duas pescadas.
Olha para as ondas do mar,
como estão despenteadas.

Guardo o dinheiro no banco,
guardo o banco na cozinha.
Tenho cem contos de fadas,
que grande fortuna a minha.

Com medo que algum ladrão
um dia me vá roubar,
mandei pôr na minha porta
três grossas correntes de ar.

Encomendei um cachorro
naquela pastelaria;
quem havia de dizer
que o maroto me mordia?!

Apanhei uma raposa
no exame e estou feliz:
vejam que lindo casaco
com a sua pele eu fiz.

Entrei numa carruagem
para voltar à minha terra,
enganei-me na estação
e desci na Primavera!

Luísa Ducla Soares, escritora portuguesa


(Foto: José Varela)

03 setembro 2017

Johann Nepomuk Hummel

Concerto para bandolim em sol maior S. 28 (número 28 do catálogo elaborado por Joel Sachs), de Johann Nepomuk Hummel (1778–1837), por André Saint-Olivier, em bandolim, e a Orquestra de Câmara de Jean-François Paillard dirigida por Jean-François Paillard

Johann Nepomuk Hummel foi um compositor nascido em 1778 na cidade de Bratislava, que era então parte do Reino da Hungria, o qual se encontrava subordinado ao poder dos Habsburgos, que reinavam na Áustria. Diz-se, por isso, que ele era austríaco. Se fosse hoje, seria eslovaco. Faleceu em Weimar, na Alemanha, em 1837.

Johann Nepomuk Hummel foi aluno de Mozart, entre outros grandes mestres, e amigo pessoal de Beethoven. Distinguiu-se como pianista, um dos maiores do seu tempo, e mostrou-se muito interessado na guitarra e outros instrumentos de corda dedilhada, que também tocava com grande proficiência. Compôs numerosas obras dos mais diversos géneros, sobretudo para piano, mas não compôs uma única sinfonia. A sua música inseria-se na corrente clássica, evoluindo na continuidade da música de Haydn e de Mozart. Ao mesmo tempo, o revolucionário Beethoven rasgava o caminho de uma nova corrente musical, a corrente romântica. Com o triunfo do Romantismo sobre o Classicismo ao longo do séc. XIX, graças ao próprio Beethoven, Liszt, Schumann e muitos outros, a música de Hummel passou a ser considerada antiquada e mergulhou no quase esquecimento. De qualquer modo, enquanto foi vivo, Johann Nepomuk Hummel foi muito apreciado como compositor e muito aclamado como pianista.

Nos últimos anos tem-se assistido à redescoberta da música de Johann Nepomuk Hummel. As gravações e os concertos multiplicam-se pelo mundo. As rádios clássicas também vão passando cada vez mais música dele, sobretudo alguns dos seus concertos para piano e o seu concerto para trompete, que é talvez a sua obra mais popular. Todas as rádios clássicas? Não. Tal como a aldeia do Astérix, a Antena 2 resiste, insistindo em ignorar a música de Johann Nepomuk Hummel. Só por milagre é possível ouvir nesta rádio pública portuguesa alguma peça dele, e quando passa é sempre o concerto para trompete e é sempre na interpretação de Wynton Marsalis. É claro que Marsalis não tem culpa nenhuma, ele é um extraordinário trompetista, que toca jazz com tanto à-vontade como toca música clássica. Não é o Wynton Marsalis que ponho em causa, é a pouquíssima importância que a Antena 2 dá à música de Johann Nepomuk Hummel.


Concerto para trompete em mi bemol maior S. 49, de Johann Nepomuk Hummel (1778–1837), por Maurice André, em trompete, e o Ensemble Orquestral de Paris dirigido por Jean-Pierre Wallez

29 agosto 2017

Abel Manta


Vista de Gouveia, óleo sobre tela de Abel Manta. 1925, Museu Municipal Abel Manta, Gouveia, Portugal


Abel Manta (1888–1982) foi um pintor modernista português fortemente influenciado por Paul Cézanne (1839–1906), e também por Dórdio Gomes (1890–1976), de quem o pintor foi amigo ao longo de toda a sua vida. A obra de Abel Manta destaca-se pela luminosidade dos volumes e superfícies nas suas paisagens urbanas e naturezas-mortas, mas foi sobretudo no retrato que ela atingiu o seu apogeu, realçando o aspeto psicológico das personagens representadas. É considerado o maior retratista do seu tempo.


Jogo de Damas, óleo sobre tela de Abel Manta, que representa Clementina Carneiro de Moura, esposa do pintor, jogando damas com o irmão, 1927. Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa, Portugal


Autorretrato com Cachimbo, óleo sobre tela de Abel Manta, c. 1928. Col. João Abel Manta, Lisboa, Portugal


Rua de S. Bernardo, óleo sobre tela de Abel Manta, 1928. Col. João Abel Manta, Lisboa, Portugal


Natureza-Morta com Safio, óleo sobre tela de Abel Manta, 1931. Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, Portugal


Largo de Camões (Lisboa), óleo sobre tela de Abel Manta, 1964. Col. João Abel Manta, Lisboa, Portugal

27 agosto 2017

As férias do sr. Hulot


Les Vacances de Monsieur Hulot, um filme do realizador e ator cómico francês Jacques Tati (1907–1982), rodado em 1951 e 1952 na estância balnear de Saint-Marc-sur-Mer, departamento de Loire-Atlantique, França

25 agosto 2017

Castro Laboreiro

À direita, a porta norte do que resta do castelo de Castro Laboreiro; à esquerda, em último plano, a vila de Castro Laboreiro (Foto: Ventor)

Castro Laboreiro é uma antiquíssima povoação situada num planalto com o mesmo nome e pertencente ao concelho de Melgaço. Está integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A antiguidade de Castro Laboreiro está expressa no seu próprio nome. Com efeito, castro é o nome dado a uma povoação fortificada que já existia vários séculos antes da chegada dos romanos. Por outro lado, a grande abundância de antas ou dólmenes na região atestam a existência de populações muito mais antigas ainda, as quais ergueram essas extraordinárias estruturas megalíticas por volta do 5.º milénio antes de Cristo.


A porta sul do que resta do castelo de Castro Laboreiro. A serra que se vê em último plano deve ser a do Soajo (Foto: Maravilhas do Gerês)

A vila de Castro Laboreiro já foi sede de município entre 1271 e 1855, com tribunal, cadeia, pelourinho e paços do concelho. O castelo, situado nas proximidades e agora em ruínas, é também muito antigo. Segundo Pinho Leal, deve-se aos romanos, mas provavelmente foi construído mais tarde, no tempo do Condado Portucalense.

O principal monumento situado no interior da vila de Castro Laboreiro é a sua igreja matriz. Dedicada a Nossa Senhora da Visitação, foi construída no séc. XII, em estilo românico, mas sofreu, ao longo dos séculos, diversas intervenções, que lhe alteraram o aspeto original. A torre da igreja, por exemplo, data do séc. XVIII.


Interior da igreja matriz de Castro Laboreiro. A nave única é em estilo românico, do séc. XII, mas os altares ao fundo são do séc. XVIII (Foto: Município de Melgaço)

Como a pastorícia foi uma das suas atividades económicas mais importantes, a região de Castro Laboreiro está polvilhada de povoações temporárias, chamadas brandas (umas) e inverneiras (outras). Ao todo são mais de 40 lugares, entre brandas e inverneiras. No verão, os pastores levavam os seus rebanhos para os pontos mais elevados, onde estavam os pastos mais frescos, e ficavam alojados nas brandas, de que o Curral do Gonçalo (a segunda povoação mais alta de Portugal) é um exemplo. No inverno, os pastores desciam aos vales, abrigados dos ventos gelados que costumam varrer o planalto, ficando alojados nas inverneiras, de que é exemplo a Assureira. Este movimento regular dos rebanhos e seus pastores, entre as brandas e as inverneiras, constitui a chamada transumância.


Ponte da Assureira ou de S. Brás, sobre o rio Barreiro, e uma azenha em segundo plano (Foto: Maria Cartas)

O planalto de Castro Laboreiro e serras envolventes (serras da Peneda e do Laboreiro) eram (e são) percorridos por alcateias de lobos. Para defenderem os seus rebanhos dos ataques dos lobos, os habitantes da região desenvolveram uma raça de cães robustos e valentes, que são os cães da raça chamada, precisamente, castro laboreiro. Inteligentes e rústicos, os cães da raça castro laboreiro eram muitas vezes deixados sozinhos no monte com o rebanho que guardavam, tal era a confiança que os pastores tinham neles. Os cães de castro laboreiro são muito fiéis e carinhosos para os seus donos, mas são hostis para os estranhos, embora não os agridam ativamente. São, por isso, excelentes cães de guarda, sobretudo para guardar quintas e casas isoladas. Não são, de maneira nenhuma, cães para se ter num apartamento na cidade, dada a sua corpulência e necessidade de muito espaço para se movimentarem.


Um cão pastor da raça castro laboreiro (Foto de autor desconhecido)


Cascata de Castro Laboreiro (Foto: João Paulo Galacho)

22 agosto 2017

Imagens falsas de Astronomia

Vê-se logo que esta imagem é falsa. Não existem cães na Lua. Mas mesmo que se retire o cão, a imagem continua a ser falsa. Com efeito, se repararmos na Terra, o nosso lindo planeta azul, ao fundo, veremos que ela se apresenta iluminada de cima para baixo. Contudo, as sombras na Lua mostram que esta se encontra iluminada da esquerda para a direita. Esta imagem é completamente falsa, mas que tem graça, tem... (Imagens da NASA sobrepostas por um desconhecido)


As imagens que ilustram este artigo foram retiradas de uma página na internet da revista americana Forbes. Outras imagens se podem ver lá. Não há dúvida de que se trata de fotografias impressionantes, mas são todas falsas menos uma.

As imagens na internet atingiram uma sofisticação tal, que cada vez se torna mais difícil distinguir as verdadeiras das falsas. O Photoshop e outros programas de edição de imagem conseguem fazer autênticos milagres de falsificação.

Se não quisermos ser enganados por imagens astronómicas falsas fingindo que são verdadeiras, só nos resta vê-las em páginas de fontes de confiança, como a NASA (Agência Espacial Norte-Americana), a ESA (Agência Espacial Europeia) ou alguma universidade ou instituto de investigação. A NASA, concretamente, publica diariamente uma imagem diferente (fotografia ou vídeo) na sua página Astronomy Picture Of The Day (APOD).


Por muito bonita que seja, esta imagem é falsa. O reflexo da Lua na água do lago está sobreposto ao reflexo da paisagem arborizada (Imagem de autor desconhecido)


Esta imagem só não é verdadeira num aspeto: as folclóricas cores variadas das estrelas, que formam um arco em resultado do longo tempo de exposição. Na vida real, as estrelas e os planetas apresentam-se brancos no céu noturno, com exceção do planeta Marte, que se apresenta avermelhado (Imagem manipulada por Justin Ng)


Esta imagem empresta uma aura de grande mistério às pirâmides do Egito, mas é falsa, evidentemente (Imagem de autor desconhecido)


A imagem anterior resulta da sobreposição destas duas fotografias reais (Foto da esquerda: Waldemar Weiss. Foto da direita: Hubble Legacy Archive)


Esta imagem é VERDADEIRA. Foi tirada em 2012, por ocasião de um eclipse anular do Sol, com uma teleobjetiva (Foto: Colleen Pinski)

17 agosto 2017

O pequeno Hiawatha

Little Hiawatha, um filme de desenhos animados de Walt Disney datado de 1937

14 agosto 2017

A Fonte

La Source, óleo sobre tela do pintor neoclássico francês Jean-Auguste Dominique Ingres (1780–1867). Musée d'Orsay, Paris, França

10 agosto 2017

O naufrágio do Lusitania


The Sinking of tne Lusitania, filme de animação de Winsor McCay, 1918. Filme mudo e legendado em inglês

RMS Lusitania foi o nome de um grande paquete transatlântico inglês (um dos dois maiores do seu tempo), que um submarino alemão criminosamente afundou no dia 7 de maio de 1915 a sul da costa da Irlanda. Estava-se em plena 1.ª Grande Guerra e a Alemanha tinha interditado toda a navegação em volta das Ilhas Britânicas. O RMS Lusitania tinha saído de Nova Iorque com destino a Liverpool, com 1962 passageiros e tripulantes a bordo, e afundou-se em dezoito minutos. Morreram 1198 pessoas.

O naufrágio do RMS Lusitania, ocorrido apenas três anos depois do do RMS Titanic, serviu de inspiração ao norte-americano Winsor McCay para um filme de animação. Winsor McCay foi o primeiro grande autor de animação da história do cinema e fez dos desenhos animados uma verdadeira arte. The Sinking of the Lusitania foi o último e o melhor de todos os seus filmes. Demorou dois anos a ser feito e implicou a realização de 25 mil desenhos. Foi estreado em 1918.

07 agosto 2017

Castelo Rodrigo

O escudo invertido, dito "difamado", da vila de Castelo Rodrigo. Este brasão de pernas para o ar foi atribuído pelo rei D. João I, como castigo pelo facto de a vila ter tomado partido por Castela na crise de 1383–1385 (Gravura do livro As Cidades e Villas da Monarquia Portugueza que Teem Brasão d'Armas, 1865, de Inácio de Vilhena Barbosa)

Se o concurso da RTP intitulado 7 Maravilhas de Portugal®  Aldeias tivesse lugar 30 anos atrás, de certeza absoluta que Castelo Rodrigo não só não iria à final, como nem sequer seria levada a concurso. Não poderia, de maneira nenhuma, competir com Podence, em Trás-os-Montes, com Alte, no Algarve, ou com os Biscoitos, na Ilha Terceira.

Quando fui pela primeira vez a Castelo Rodrigo, há muitos anos, fiquei aterrado com o que encontrei. A velha vila fortificada nas terras de Riba Coa era então uma ruína tão degradada e tão miserável, que só apetecia fugir dali para fora. As pouquíssimas pessoas que ainda habitavam aquelas casas decrépitas eram pessoas de muita idade que, por uma razão ou por outra, não se tinha mudado lá para baixo, para a sede de concelho, a vila de Figueira de Castelo Rodrigo. Porque teimavam elas em permanecer em local tão ermo e tão triste? A ruína e o ar de abandono de Castelo Rodrigo eram verdadeiramente impressionantes. Tudo indicava que, assim que os seus idosos moradores morressem, Castelo Rodrigo ficaria sendo uma vila fantasma, com o mato a crescer por entre as pedras das ruínas.


A antiga sinagoga de Castelo Rodrigo, que deu lugar a um poço-cisterna depois da expulsão dos judeus por D. Manuel I (Foto: Nmmacedo)

Julgo que foi em 1995, mais ou menos, que arrancou um programa de Recuperação de Aldeias Históricas de Portugal, o qual visou recuperar diversas localidades de importância histórica no interior centro do país. A velha vila de Castelo Rodrigo foi uma das aldeias recuperadas no âmbito do programa, juntamente com Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Idanha-a-Velha, Linhares, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha e Trancoso. O que aconteceu a estas localidades parece quase um milagre. No caso de Castelo Rodrigo (e também no de Castelo Mendo) foi mesmo um milagre. Foi um milagre laico e feito pelos homens, mas foi um milagre, mesmo assim.


A igreja matriz de Castelo Rodrigo, dedicada a Nossa Senhora de Rocamador, ou de "Reclamador" como também lhe chamam. É uma igreja medieval de estilo românico, com diversas intervenções posteriores. Agora pergunto: qual é maior, a igreja ou a sua torre? Ao fundo, à esquerda, avista-se o pelourinho de Castelo Rodrigo, do tipo gaiola (Foto: CCDRC)

Ora vamos lá ver se nos entendemos. O modo de vida que encontrei em Castelo Rodrigo na minha primeira visita praticamente já não existe. O séc. XXI também acabou por chegar a Castelo Rodrigo. Agora, a antiga vila voltou-se para o turismo e para o mercado das segundas habitações, como aconteceu a muitas outras localidades portuguesas. Em vez dos velhos moradores, que tristemente esperavam a chegada da sua própria morte numa vila também ela moribunda, novas gentes, mais jovens e mais urbanizadas (ou mesmo 100% urbanas), percorrem agora as suas renovadas ruas e calçadas. Será que podemos ainda dizer, como faz a RTP, que Castelo Rodrigo é uma "aldeia autêntica"? Permito-me duvidar. Podence, sim, é uma aldeia autêntica. Belmonte é também uma vila autêntica. Agora Castelo Rodrigo… Enfim, talvez se possa falar numa nova autenticidade, para o caso de Castelo Rodrigo. É uma autenticidade do séc. XXI.


Ruínas do palácio de Cristóvão de Moura em Castelo Rodrigo. Cristóvão de Moura foi um dedicado apoiante de Filipe II de Espanha (que veio a ser Filipe I de Portugal), aquando da crise dinástica aberta pelo desaparecimento do rei D. Sebastião em Alcácer Quibir. Como prémio, Filipe I nomeou-o conde de Castelo Rodrigo e Filipe II (Filipe III de Espanha) nomeou-o marquês, também de Castelo Rodrigo. Depois da Restauração da Independência em 1640, o povo da vila destruiu o palácio, que ficou como se vê. Em primeiro plano, na imagem, veem-se amendoeiras floridas (Foto: Município de Figueira de Castelo Rodrigo)