01 dezembro 2016

Dezembro

Dezembro, iluminura do livro Les Très Riches Heures du Duc de Berry

28 novembro 2016

500 anos de relacionamento entre Portugal e o Vietname (Vietnã)

Vietname (Foto: Chế Quang Hậu)

Vês, corre a costa que Champá se chama,
Cuja mata é do pau cheiroso ornada;
Vês Cauchichina está, de escura fama,
E de Ainão vê a incógnita enseada;
(…)
Luis de Camões, Os Lusíadas, canto X, estrofe 129


Foram portugueses os primeiros europeus a pisar solo vietnamita, o que aconteceu há 500 anos. É certo que naquele tempo ainda não existia um país chamado Vietname (Việt Nam), mas sim os reinos de Tonquim, Cochinchina e Champá, como os portugueses lhes chamaram. O Vietname, tal como o conhecemos hoje, resulta da unificação destes reinos, empreendida pelo imperador Gia Long em 1802.

A primeira referência a terras do atual Vietname feita por um europeu deve-se ao português Tomé Pires e data de 1515. Isto não significa que Tomé Pires tenha efetivamente desembarcado naquela parte do mundo. Teve, isso sim, conhecimento da sua existência e a ela fez referência na sua obra Suma Oriental.

Em 1516, Fernão Peres de Andrade, que à data era diplomata às ordens de Afonso de Albuquerque, por quem tinha sido encarregado de se deslocar à China a fim de estabelecer relações comerciais com este país, foi obrigado pela monção a aportar em terras vietnamitas. Foram, pois, Fernão Peres de Andrade e os seus companheiros os primeiros europeus a pisar solo vietnamita, acontecimento cujo quinto centenário foi assinalado neste ano da graça de 2016, tanto no Vietname como em Portugal.


Baía de Ha Long, Vietname (Foto de autor desconhecido)


O relacionamento entre o Vietname e Portugal (chamado Bồ Đào Nha em vietnamita) foi sempre pacífico. Nunca os portugueses procuraram conquistar ou colonizar o Vietname ou qualquer dos reinos que o vieram a constituir, contrariamente ao que fizeram a França no séc. XIX e o Japão e os Estados Unidos no séc. XX. A comprová-lo está a ausência de qualquer fortificação construída pelos portugueses em território do Vietname.

No Sudeste Asiático, Portugal não estava interessado em ocupar territórios, pois não dispunha de gente nem de meios suficientes para o fazer. Estava interessado, isso sim, em conquistar apenas as posições geográficas que lhe permitissem controlar as principais rotas comerciais marítimas da região. A tomada da cidade de Malaca, sobretudo, teve uma enorme importância deste ponto de vista, pois esta cidade controlava o único canal navegável que ligava o Mar do Sul da China ao Oceano Índico, que era o Estreito de Malaca.

De resto, Portugal procurou estabelecer relações diplomáticas com os reinos da região, com vista a obter vantagens comerciais para si. Mesmo assim, nalguns casos os portugueses tiveram de intervir militarmente em favor de um reino que estivesse em guerra com um reino inimigo, para poder receber mais tarde favores e privilégios por parte do reino auxiliado. Foi o que sucedeu com o reino de Sião (atual Tailândia), que recebeu ajuda militar portuguesa nas suas guerras com a vizinha Birmânia (atual Myanmar). Refira-se no entanto que, apesar de Portugal ter apoiado o Sião contra a Birmânia, há também neste último país uma pequena comunidade de descendentes de portugueses.

O Mar do Sul da China, no meio do qual se encontra o Vietname, tornou-se deste modo, no séc. XVI, um mar "português". Os negócios que se realizavam nos principais portos situados neste mar eram, inclusivamente, feitos em língua portuguesa. Mesmo muitos anos depois de os holandeses terem conquistado as principais posições que os portugueses detinham neste mar, sobretudo Malaca, já no séc. XVII, a língua portuguesa continuou a ser a lingua franca comercial falada naquela região do globo. Os novos conquistadores holandeses tiveram, eles mesmos, que aprender a falar português para se poderem relacionar com os habitantes dos territórios que tinham conquistado. O uso do português nos contactos comerciais havidos no Mar do Sul da China prolongou-se até ao séc. XVIII, quando a presença portuguesa na região já só se limitava à cidade de Macau.


O Mar do Sul da China, onde o Vietname ocupa uma posição central


Depois de Fernão Peres de Andrade, vários outros portugueses chegaram ao atual Vietname: uns no desempenho de missões oficiais a mando dos vice-reis da Índia, outros (a grande maioria) como mercadores, outros mais (sobretudo padres dominicanos e jesuítas) para fazerem a evangelização (perto de 8% da população do país é cristã) e outros ainda por terem naufragado nas suas costas. O mais famoso náufrago português a pisar solo vietnamita foi Luis de Camões, que naufragou em frente ao delta do rio Mekong, quando se dirigia de Macau para Goa, e chegou a terra nadando com uma mão, enquanto com a outra mão segurava a obra que estava a escrever, "Os Lusíadas".

O principal vestígio da presença de portugueses no Vietname não é de ordem material, isto é, não é nenhum forte nem nenhuma feitoria. É de ordem cultural. Basta pôr os olhos num texto escrito em vietnamita para o ver: é a escrita da língua vietnamita em carateres latinos.

Antigamente, a língua vietnamita era escrita em ideogramas semelhantes aos que são usados na escrita do chinês ou do japonês. Um padre jesuíta português, chamado Francisco de Pina, que se estabeleceu na Cochinchina por volta de 1618, decidiu-se a empreender a romanização da língua, isto é, uma mudança da escrita do vietnamita para carateres latinos, como os que são usados na escrita do português. Enquanto desenvolvia o seu trabalho, que se revelou muito complexo por causa das diversas variantes dialetais e da tonalidade da língua, outros padres se lhe foram juntando, de entre os quais se destacaram Gaspar do Amaral, António Barbosa e um padre italiano chamado Christoforo Borri, os quais, além de participarem no trabalho de transcrição do vietnamita (então chamado anamita) para carateres latinos, redigiram gramáticas e dicionários de anamita-português e português-anamita. Um outro padre, o francês Alexandre de Rhodes, coligiu, harmonizou e completou o trabalho dos seus antecessores, tendo publicado em Roma, em 1651, um dicionário anamita-português-latim, o Dictionarium Annamiticum — Seu Tunkinense cum Lusitana, & Latina declaratione, que foi a primeira obra impressa onde o vietnamita surge escrito em carateres latinos. A publicação deste dicionário marca o nascimento do Quốc Ngữ, isto é, da "língua nacional", como a nova transcrição passou a chamar-se.

Alexandre de Rhodes foi considerado o "pai" do Quốc Ngữ, tendo Francisco de Pina e os restantes padres caído no esquecimento. Este esquecimento foi profundamente injusto, pois um padre francês não teria desenvolvido um trabalho de romanização baseada na língua portuguesa, mas sim na língua francesa ou na latina. Porque o facto é este: o Quốc Ngữ é baseado na língua portuguesa. Por exemplo, o grupo de letras nh é pronunciado em vietnamita de modo semelhante ao português.

Se olharmos por um texto escrito em Quốc Ngữ, isto é, em vietnamita romanizado (que é agora a ortografia oficial da língua, por decreto do presidente Hồ Chí Minh, datado de 1945), veremos uma quantidade incrível de sinais diacríticos (acentos e outros) acrescentados às vogais latinas. Alguns destes sinais dacríticos nunca existiram em português. Poder-se-á perguntar: a que se deve uma tal abundância de sinais? Esta abundância deve-se ao caráter tonal da língua vietnamita, caráter que o português não tem. Em vietnamita e diversas outras línguas asiáticas, a pronúncia não chega para determinar uma dada palavra. O tom com que ela é pronunciada é igualmente importante. Existem seis tons em vietnamita e para se distinguir um tom dos outros é necessário recorrer-se aos referidos sinais diacríticos. Uma palavra pode ter significados diferentes consoante o tom com que é pronunciada. Por exemplo, a palavra ma significa "espírito",  significa "queixo",  significa "mas",  significa "túmulo",  significa "cavalo" e mạ significa "grão de arroz". Note-se que o til não é usado em vietnamita para nasalar a vogal sobre que se encontra, mas sim para indicar uma entoação bem determinada.


AGRADECIMENTO

Agradeço a Raul Silva, da Associação de Amizade Portugal-Vietname (Nampor), o valioso apoio prestado para a elaboração deste texto.


Faiança vietnamita de Bui Thi Hy (1420-1499), do Museu Palácio Topkapi, em Istambul, Turquia, e perspectiva de Hoi-An, da primeira década do século XX

Gravura da cidade de Lisboa no século XVI, numa foto do Museu de Lisboa, e faiança portuguesa do mesmo século, do Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Selos de correio emitidos conjuntamente no Vietname e em Portugal, comemorativos do 5.º centenário do relacionamento entre os dois países

22 novembro 2016

Rostos do Vietname

(Foto: Phạm Văn Hạnh)

(Foto: Le Bich)

(Foto: Thang Le)

(Foto: Nhan Le)

(Foto: Nguyễn Thành Đô)

(Foto: Bảo Huy)

(Foto: Tuan Hung Nguyen)

15 novembro 2016

Travadinha


27 de Setembro, uma morna pelo violinista autodidata cabo-verdiano Antoninho Travadinha, de seu nome próprio António Vicente Lopes, que faleceu em 1987

10 novembro 2016

Inhu


Inhu, um documentário do Coletivo Kalapalo de Cinema, da Associação Aulukumã, do Alto Xingu, Brasil, constituído por jovens cineastas indígenas do povo Kalapalo


O uso de cintos e colares de caramujo identifica os povos que vivem no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, Brasil. Destes povos, porém, só um os produz: o povo Kalapalo, constituído por menos de 700 pessoas, da família linguística Karib.

Neste vídeo assistimos à colheita de conchas de caramujos (enormes caramujos de terra, muito maiores do que os que vivem no mar) e ao ensino do fabrico de colares e cintos a partir desta matéria-prima.

No âmbito da economia de permuta prevalecente no Alto Xingu, os belos colares e cintos de caramujo podem ser transacionados pelos Kalapalo com os povos seus vizinhos, em troca de outros produtos artesanais, tais como plumária, cerâmica ou cestaria, que os outros povos, por sua vez, produzem. Podemos dizer que cada povo do Xingu é especializado no fabrico de um tipo de artesanato. Os Kalapalo produzem colares e cintos de caramujo, os Kamayurá produzem cocares e outros ornamentos de penas, etc.

09 novembro 2016

«Avançam»

Avançam,
recebem a medalha,
regressam ao seu banco,
depois ao comboio,
às terras…

Minúscula a medalha
junto do retrato;
não ocupa muito
sobre a cómoda.

Como minguou
o espaço do filho!

As casas são pequenas!

Egito Gonçalves (1920–2001)


Pais de soldados portugueses mortos em combate na Guerra Colonial e condecorados a título póstumo numa cerimónia do 10 de Junho (Foto de autor desconhecido)

02 novembro 2016

In memoria æterna


In memoria æterna, do Graduale da Missa pro Defunctis, do padre Manuel Mendes (ca. 1547–1605), pelo Ensemble da Sé de Angra, de Angra do Heroísmo

01 novembro 2016

Novembro

Novembro, iluminura do livro Les Très Riches Heures du Duc de Berry

31 outubro 2016

Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para quê tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade (1902–1987)

28 outubro 2016

A Mística Xinguana — o clamor que vem da floresta


A Mística Xinguana — O Clamor que vem da Floresta é o nome do samba de enredo que a escola de samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, apresentará no Sambódromo da Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2017

27 outubro 2016

Mulheres à beira-mar


Confundindo os seus cabelos com os cabelos do vento, têm
o corpo feliz de ser tão seu e tão denso em plena liberdade.

Lançam os braços pela praia fora e a brancura dos seus pulsos
penetra nas espumas.

Passam aves de asas agudas e a curva dos seus olhos prolonga
o interminável rasto no céu branco.

Com a boca colada ao horizonte aspiram longamente a
virgindade de um mundo que nasceu.

O extremo dos seus dedos toca o sino de delícia e vertigem
onde o ar acaba e começa.

E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de ser tão verde.


Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), in Coral, 1950


20 outubro 2016

As Promessas

As Promessas, pintura a óleo de José Malhoa (1855–1933). Museu José Malhoa, Caldas da Rainha


Para mim, só existe um José Malhoa. É o pintor José Vital Branco Malhoa, nascido nas Caldas da Rainha em 28 de abril de 1855 e falecido em Figueiró dos Vinhos em 26 de outubro de 1933. O resto é música pimba.

José Malhoa foi um notável pintor português que, juntamente com Silva Porto, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro, entre outros, introduziu a corrente naturalista em Portugal. A sua obra tanto abarca retratos de personagens suas contemporâneas, como pinturas de caráter urbano, de que é exemplo o seu famoso quadro O Fado, como pinturas de temática rural, ou pelo menos ruralizante, de entre as quais se destaca o seu quadro Clara, que representa uma personagem do romance As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis, sob a forma de uma robusta e sadia camponesa minhota. O Fado é certamente o seu quadro mais famoso, mas há outros que são igualmente muito conhecidos, tais como Os Bêbados e Praia das Maçãs, além, evidentemente, de Clara.

O quadro que aqui trago à apreciação de quem me visita é um dos meus preferidos deste grande pintor. Chama-se As Promessas e está patente no Museu José Malhoa, na cidade das Caldas da Rainha, museu este cuja visita recomendo e onde se podem admirar muitas outras obras de outros notáveis artistas portugueses dos séc. XIX e XX.

Em As Promessas, o intenso dramatismo expresso nas figuras das pagadoras de promessas, sucumbindo ao esforço sobre-humano que a si próprias exigem, em contraste com o ambiente festivo da procissão que as segue e das ornamentações que ladeiam o caminho que seguem, é comovente. O empenho que José Malhoa colocou na feitura deste quadro a óleo, datado de 1933, pode ser avaliado pela imensa qualidade do estudo a pastel que o pintor fez para ele em 1927. Mesmo que o quadro a óleo não tivesse visto a luz do dia, o estudo, por si só, mereceria a nossa maior admiração. Mereceria, não; merece.


Estudo em pastel para As Promessas, de José Malhoa (1855–1933). Museu José Malhoa, Caldas da Rainha

13 outubro 2016

O cruzeiro de Caçarelhos

Pormenor do cruzeiro de Caçarelhos, Vimioso (Foto: Rota da Terra Fria Transmontana)


Caçarelhos é uma localidade do concelho de Vimioso, situada entre a sede do concelho e a cidade de Miranda do Douro. Foi sede de freguesia, fazendo atualmente parte da União das Freguesias de Caçarelhos e Angueira.

Há no centro de Caçarelhos um monumento digno de nota, que convida o viajante a parar para o admirar. É um belo cruzeiro esculpido em granito e datado de 1777, obra de Manuel Gonçalves ou do seu filho José Gonçalves, mestres canteiros naturais de Âncora, Minho.

A página http://cacarelhos.com/cruzeiro-de-cacarelhos/ descreve-o assim:

Assente numa escadaria granítica, constituída por seis degraus, pode-se observar uma base, em monobloco, de forma paralelipipédica. Os lados, de forma rectangular, são cinzelados com uma forma elíptica, ao centro, e com várias formas ogivais e curvilíneas a guarnecê-la.

O fuste, com cerca de 3 metros, de forma cilindríca, é ornamentado, no primeiro terço com círculos convexos, dispostos em seis camadas horizontais paralelas e no restante com linhas verticais convexas e côncavas, encimado por um capitel em forma piramidal, invertido e cinzelado.

A encimá-lo aparece a cruz com cerca de um metro de altura com a figura de Cristo cruxificado voltada para Poente.

08 outubro 2016

Música tuaregue


Toumast, por Kader Tarhanine e o grupo Afouss d’Afouss, de Tamanrasset, Argélia



Alghafiyat (Paz), por Hamid Ekawel, do Níger



Islegh taghram tifhamam, pelo grupo Tinariwen, do Mali, que este ano atuou na Praia de Esmoriz, Ovar



Assouf, por Omara "Bombino" Moctar, de Agadez, Níger



Tarhanine Tegla, talvez o maior êxito do grupo Afouss d'Afouss, de Tamnrasset, Argélia

06 outubro 2016

Quási

Um pouco mais de sol — eu era brasa,
Um pouco mais de azul — eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d’asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador d’espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho — ó dor! — quási vivido...

Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim — quási a expansão...
Mas na minh’alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
— Ai a dor de ser — quási, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos d’alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol — vejo-as cerradas;
E mãos d’herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

.........................................................
.........................................................

Um pouco mais de sol — e fora brasa,
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe d’asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário de Sá-Carneiro, poeta português que se suicidou em Paris em 26 de abril de 1916, a poucos dias de completar 26 anos de idade


O poeta Mário de Sá Carneiro, num retrato feito por Almada Negreiros

01 outubro 2016

Outubro

Outubro, iluminura do livro Les Très Riches Heures du Duc de Berry

25 setembro 2016

Prémios Ig Nobel de 2016

Thomas Thwaites, de 34 anos, vencedor ex-æquo do Prémio Ig Nobel da Biologia 2016, fotografado nos Alpes Suíços com uma prótese de cabra de sua invenção (Foto: Tim Bowditch)


Os Prémios Ig Nobel destinam-se a galardoar os melhores trabalhos de investigação (num sentido muito lato do termo) que primeiro façam rir e a seguir façam pensar. São promovidos pela revista norte-americana Improbable Research.

Os Prémios Ig Nobel de 2016 foram atribuídos no dia 22 de setembro de 2016, durante uma cerimónia que teve lugar no Teatro Sanders, em Harvard, Massachussets, Estados Unidos, e foram os seguintes.

PRÉMIO IG NOBEL DA REPRODUÇÃO

Atribuído ao falecido Ahmed Shafik, por ter estudado os efeitos do uso de calças de poliéster, algodão ou lã na vida sexual dos ratos, e por ter realizado testes semelhantes em homens.

PRÉMIO IG NOBEL DA ECONOMIA

Foi para Mark Avis, Sarah Forbes e Shelagh Ferguson, por determinarem a personalidade observável de rochas, de um ponto de vista das vendas e do marketing.

PRÉMIO IG NOBEL DA FÍSICA

Concedido a Gábor Horváth, Miklós Blahó, György Kriska, Ramón Hegedüs, Balázs Gerics, Róbert Farkas, Susanne Åkesson, Péter Malik e Hansruedi Wildermuth, por descobrirem que os cavalos de pelo branco são os cavalos mais imunes à mosca do gado e por descobrirem que as libélulas são fatalmente atraídas por pedras tumulares negras.

PRÉMIO IG NOBEL DA QUÍMICA

Outorgado à Volkswagen, por ter resolvido o problema das emissões em excesso de poluentes atmosféricos, produzindo de forma automática e eletromecânica menos poluentes sempre que os carros eram ensaiados.

PRÉMIO IG NOBEL DA MEDICINA

Concedido a Christoph Helmchen, Carina Palzer, Thomas Münte, Silke Anders e Andreas Sprenger, por terem descoberto que se tivermos comichão no lado esquerdo do nosso corpo, podemos eliminá-la olhando para um espelho e coçando-nos no lado direito, e vice-versa.

PRÉMIO IG NOBEL DA PSICOLOGIA

Dado a Evelyne Debey, Maarten De Schryver, Gordon Logan, Kristina Suchotzki e Bruno Verschuere, por terem perguntado a mil mentirosos quantas vezes eles mentem e por terem decidido se devemos acreditar nas respostas.

PRÉMIO IG NOBEL DA PAZ

Atribuído a Gordon Pennycook, James Allan Cheyne, Nathaniel Barr, Derek Koehler e Jonathan Fugelsang, pelo seu estudo intitulado "Sobre a Receção e Deteção de Asneira Pseudo-Profunda".

PRÉMIO IG NOBEL DA BIOLOGIA

Atribuído, ex-æquo, a Charles Foster, por viver na meio da natureza, em diferentes ocasiões, como um texugo, uma lontra, um veado, uma raposa e uma ave, e a Thomas Thwaites, por ter criado extensões prostéticas para os seus membros que lhe permitem deslocar-se como uma cabra e andar pelos montes na companhia de cabras.

PRÉMIO IG NOBEL DA LITERATURA

Concedido a Fredrik Sjöberg, pela sua obra autobiográfica em três volumes sobre o prazer de colecionar moscas que estão mortas e moscas que ainda não estão mortas.

PRÉMIO IG NOBEL DA PERCEÇÃO

Outorgado a Atsuki Higashiyama e Kohei Adachi, por terem investigado se as coisas nos parecem diferentes quando nos dobramos e as vemos por entre as nossas pernas.

22 setembro 2016

Sinhá


Sinhá, canção de Chico Buarque em parceria com João Bosco, sobre o caso real de um escravo que teve os seus olhos furados por ter visto a sua patroa nua

15 setembro 2016

Os (verdadeiros) meninos do Huambo


Reportagem da TVI sobre o acolhimento e educação, pela ONG Okutiuka, fundada por Sónia Ferreira em 1997, de crianças e jovens abandonados na cidade do Huambo, Angola. Por uma vez, o repórter Vítor Bandarra fez um bom trabalho

11 setembro 2016

Dois grandes artistas que se foram: José Rodrigues e Mário Silva

Cervo, do escultor José Rodrigues (1936–2016), Vila Nova de Cerveira (Foto: José Rodrigues)


Coimbra, do pintor Mário Silva (1929–2016) (Foto: Costa Brites)