27 fevereiro 2011

Barém (Bahrain)

Qal'at al-Bahrain, a fortaleza portuguesa do Barém ou Bahrain (Foto: Abe World!)

Um dos países árabes onde têm estado a ocorrer manifestações contra o poder estabelecido é o pequeno reino do Bahrain, em português Barém, que é uma antiga possessão portuguesa. É verdade. O Barém já foi de Portugal. O domínio português sobre o território é pouco referido, porque já ocorreu há mais de quatro séculos, concretamente entre 1521 e 1602. Durou, portanto, cerca de 81 anos.

Não é dificil adivinhar porque é que Portugal se foi meter num "vespeiro", com a conquista de um pequeno território insular rodeado de inimigos por todos os lados, porque situado bem no interior do Golfo Pérsico e a pequena distância da Península Arábica.

Se o Barém só tivesse areia, certamente que os portugueses não se interessariam por ele. Mas ele tinha -- e continua a ter -- uma riqueza que despertou a cobiça lusa: pérolas. Além disso, o domínio do Barém dava aos portugueses acesso ao comércio de outras riquezas provenientes das regiões envolventes do Golfo Pérsico, como os cavalos da Arábia, os tapetes da Pérsia, as musselinas do Curdistão e outras riquezas mais, além das pérolas também provenientes de outros pontos da costa do Golfo.

Apesar de a presença portuguesa no Barém já ter acabado há muito tempo, alguns vestígios ficaram dessa presença. O vestígio mais importante de todos é a fortaleza portuguesa, Qal'at al-Burtughal, mais frequentemente chamada Qal'at al-Bahrain. Foi erguida no cimo de uma colina artificial, que começou a ser construída por volta do ano 2300 AC. A fortaleza e a colina foram classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade.

26 fevereiro 2011

A BBC deixou de falar português

Alguns membros da última redação da BBC em português (da esquerda para a direita): Marina Tadeu, Leo Guevane, Filipe Correia de Sá, Bruno Portela, Teresa Lima (chefe da redação), Hermínia Monteiro e Aires Walter dos Santos (Foto: BBC)

Setenta e dois anos depois de terem iniciado, acabaram as emissões em língua portuguesa da rádio britânica BBC (British Broadcasting Corporation). Brutais cortes orçamentais ditaram o fim de um dos serviços de rádio em português mais prestigiados do mundo.

Vou sentir muito a falta de uma estação que, através das ondas curtas, sempre me informou com o maior rigor e isenção possíveis. No tempo da ditadura do Estado Novo, o Serviço Português da BBC deu-me a conhecer factos e acontecimentos, ocorridos em Portugal e no Mundo, que eram silenciados pela censura do regime de Salazar e Marcelo Caetano. Mais tarde, foi também -- e sobretudo -- através da BBC que me fui informando sobre o que se passava nos novos estados africanos de língua oficial portuguesa e na África em geral.

Eu não sei durante quanto tempo é que a última emissão -- que foi para o ar às 20 horas e 30 minutos do dia 25 de Fevereiro passado -- irá estar disponível na Internet. Enquanto for possível, pode ser escutada aqui. Um texto de despedida e de resumo da história do Serviço pode ser lido aqui.

22 fevereiro 2011

Estranha forma de tocar


Pode parecer uma senhora, por causa do lenço que usa na cabeça, mas é um homem. Chama-se Ronnie Moipolai, é cidadão do Botswana e vive numa aldeia chamada Kopong, situada a cerca de 50 km de Gaborone, a capital do seu país.

Ronnie já não é novidade para muita gente; os seus vídeos têm estado a "circular" pela Internet há já algum tempo. Mesmo assim, acho que vale a pena mostrar aqui este grande músico africano que, apesar de não ter tido uma aprendizagem musical formal, toca viola (violão) de uma maneira verdadeiramente surpreendente e com resultados magníficos. É um génio.




18 fevereiro 2011

Rimas populares infantis


— Bom barqueiro, bom barqueiro,
deixa-me passar.
Tenho filhos pequeninos
p'ra acabar de criar.

— Passará, passará,
mas algum deixará.
Se não for o da frente,
há-de ser o de trás.


Pico, pico, maçarico,
quem te deu tamanho bico?

Foi a pomba da balança,
deu um pulo e pôs-se em França.

Os cavalos a correr,
as meninas a aprender.

Qual será a mais bonita
que se há-de esconder?


Uma meia meia feita,
outra meia por fazer.
Diga lá, minha menina,
quantas meias vêm a ser.


Indo eu, indo eu
a caminho de Viseu,
encontrei o meu amor.
Ai Jesus, que lá vou eu!

Ó rezus truz truz,
Ó rezás trás trás.
Ó rezus truz truz,
Ó rezás trás trás.

Ora chega, chega, chega,
Ora afasta lá pr'a trás.
Ora chega, chega, chega,
Ora afasta lá pr'a trás.


— Ah, ah, ah,
minha Machadinha,
quem te pôs na roda
sabendo que és minha?

Sabendo que és minha,
também eu sou tua.
Salta Machadinha
p'ra o meio da rua.

— No meio da rua
não hei-de eu ficar.
Hei-de ir à roda
buscar o meu par.

— Escolha o par
que lhe agradar.
Um raminho de violetas
para acompanhar.


Era uma vez
um gato maltês.
Tocava piano
e falava francês.


Era uma vez.
Queres que te conte outra vez?


— Dez e dez?
— Vinte.
— Vai ao diabo que te pinte.

— Vinte e vinte?
— Quarenta.
— És o burro da minha ferramenta.


A batatinha quando nasce
deita a rama pelo chão.
As meninas que namoram
põem a mão no coração.


Ó Manel Tintim,
ó Manel Tintão,
pousa a canastrinha,
dá c'o cu no chão.


Fernandinho foi ao vinho,
entornou o copo pelo caminho.
Ai do copo, ai do vinho,
ai do cu do Fernandinho.


Dlim, dlão.
Cabeça de cão.
Menina bonita
não tem coração.


— Eu fui ao Jardim Celeste.
Giroflé giroflá.
Eu fui ao Jardim Celeste.
Giroflé flé flá.

— O que foste lá fazer?
Giroflé giroflá.
O que foste lá fazer?
Giroflé flé flá.

— Fui lá buscar uma ... (flor).
Giroflé giroflá.
Fui lá buscar uma ... (flor).
Giroflé flé flá.

— Para quem é essa ... (flor)?
Giroflé giroflá.
Para quem é essa ... (flor)?
Giroflé flé flá.

— É para a menina ... (nome).
Giroflé giroflá.
É para a menina ... (nome).
Giroflé flé flá.


Sebastião come tudo, tudo, tudo,
Sebastião come tudo sem colher.
Sebastião é um gordo barrigudo
e depois dá pancada na mulher.


Babona que estás no meio,
ó babona.
Estás feita uma toleirona,
ó babona.
Estás vendo o anel passar,
ó babona,
sem nunca o poderes achar,
ó babona.
Ele aí vai, ele aí vem,
ele por aqui passou,
passou, passou, passou...


A criada lá de cima
é feita de papelão.
Quando vai fazer a cama,
diz assim para o patrão:

— Sete e sete são catorze.
Com mais sete, vinte e um.
Tenho sete namorados
e não gosto de nenhum.

16 fevereiro 2011

Carta a meus filhos sobre os Fuzilamentos de Goya

El tres de Mayo de 1808 ou Los fusilamientos de Príncipe Pío, pintado em 1814 por Francisco de Goya (1746-1828), óleo sobre tela que representa o fuzilamento de 44 madrilenos pelas tropas napoleónicas, na noite de 2 para 3 de Maio de 1808, na colina do Príncipe Pío, em Madrid


Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.

Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.

Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse com suma piedade e sem efusão de sangue.

Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.

Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer
aniquilando mansamente, delicadamente
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.

Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.

É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.

Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
– mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –
não hão-de ser em vão. Confesso que,
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.

Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».

E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.


Jorge de Sena (1918-1978)

13 fevereiro 2011

أم كلثوم


Julgo que posso afirmar que a cantora egípcia Om Kalsoum (em árabe أم كلثوم; em carateres latinos também chamada Om Kalthoum, Umm Kulthum, Oumme Kalsoum, etc.) está para os árabes como Amália Rodrigues está para os portugueses. Om Kalsoum foi uma diva, aplaudida e mitificada por milhões e milhões de pessoas e é por muitos considerada como tendo sido a maior cantora árabe de todo o século XX.

Já nos primeiros tempos deste meu blogue tive a intenção de publicar um artigo sobre esta notável cantora. Tinha acabado de ouvir no rádio, em ondas curtas, uma sua canção, interpretada de uma maneira quase vulcânica perante um auditório em delírio. Fiquei verdadeiramente impressionado com o que ouvi. No entanto, não encontrei então na Internet nenhuma gravação, áudio ou vídeo, que me satisfizesse minimamente e me permitisse dá-la a conhecer aqui. Acabei por desistir da ideia.

Agora que o povo egípcio está a festejar o seu "25 de Abril" (espero sinceramente que o derrube de uma ditadura não corresponda ao início de outra), voltei a lembrar-me desta egípcia. Embora a canção que se ouve no vídeo que se segue (em duas partes) não tenha tanta força como a que em tempos ouvi no rádio, parece-me que, agora sim, posso dá-la a ouvir a quem me visita.

Om Kalsoum nasceu no delta do Nilo entre 1898 e 1904 (não se sabe ao certo), no seio de uma família muito pobre. Morreu em 1975, vítima de ataque cardíaco, e ao seu funeral compareceram cerca de 4 milhões de pessoas! Uma biografia em inglês desta grande cantora pode ser lida nesta página da Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Umm_Kulthum.





07 fevereiro 2011

Imagens de índios isolados no Brasil


A emissora de rádio e televisão britânica BBC e a organização Survival deram a público, há muito poucos dias, novas imagens de uma tribo de índios isolados que vivem na Amazónia brasileira, junto à fronteira com o Peru. Há cerca de dois anos já tinham sido divulgadas as primeiras imagens desta mesma tribo.

Esta e outras tribos são chamadas isoladas ou não contactadas, porque só têm relações limitadas com o mundo exterior, provavelmente apenas com outros índios de tribos vizinhas. O aspeto saudável destes índios, que é visível nestas imagens, sugere que eles não têm tido contactos com não-índios. Eles teriam morrido ou ficado gravemente doentes se tivessem tido esses contactos, porque não possuem imunidade contra várias doenças que no passado não existiam na Amazónia. Um simples resfriado, por exemplo, pode matá-los pura e simplesmente.

Nas imagens agora divulgadas verifica-se que estes índios estão bem alimentados, sendo claramente visível a abundância de mandioca, papaia, banana, etc. Eles pintam o corpo com urucum, que é uma tinta vermelha obtida a partir de sementes, e possuem catanas de aço, que provavelmente foram obtidas junto de tribos vizinhas.

Na Amazónia peruana, a situação dos índios tem sido alvo de severas críticas por parte de várias pessoas e organizações. O avanço imparável de garimpeiros e madeireiros, que se tem vindo a registar no Peru, tem vindo a provocar graves destruições na floresta e a causar sérias perturbações na vida das comunidades locais. Algumas tribos do Peru já estão a fugir para dentro do território brasileiro, depois de terem visto destruída a floresta que lhes servia de sustento, o que poderá gerar conflitos com tribos brasileiras, que se poderão sentir invadidas e ameaçadas. As notícias mais recentes vindas da parte do governo peruano (que até agora negava a existência de tribos isoladas no seu país) dão conta do reconhecimento, por fim, do problema e de um compromisso em o resolver daqui para diante. Aguardemos com atenção o evoluir da situação.

Um curto vídeo produzido pela BBC e comentado em inglês por Gillian Anderson está disponível no seguinte endereço:

http://www.uncontactedtribes.org/brazilfootage


04 fevereiro 2011

Barcas novas

Em Lixboa sobre lo mar
barcas novas mandei lavrar,
     ay mia senhora velida!

Em Lisboa sobre lo ler
barcas novas mandei fazer,
     ay mia senhora velida!

Barcas novas mandei lavrar
e no mar as mandei deitar,
     ay mia senhora velida!

Barcas novas mandei fazer
e no mar as mandei meter,
     ay mia senhora velida!
João Zorro, trovador português ou galego do séc. XIII


BARCAS NOVAS

Lisboa tem suas barcas
agora lavradas de armas

Lisboa tem barcas novas
agora lavradas de homens

Barcas novas levam guerra
as armas não lavram terra

São de guerra as barcas novas
no mar deitadas com homens

Barcas novas são mandadas
sobre o mar com suas armas

Não lavram terra com elas
os homens com sua guerra

Nelas mandaram meter
os homens com sua guerra

Ao mar mandaram as barcas
novas lavradas de armas

Em Lisboa sobre o mar
armas novas são mandadas

Fiama Hasse Pais Brandão, in Barcas Novas, 1967



Partida de militares portugueses para a guerra colonial (1961-1974) (Fotos de autores desconhecidos)

02 fevereiro 2011

O Jardim das Delícias Terrenas, de Hieronymus Bosch


O holandês Hieronymus Bosch (c.1450-1516), de seu nome verdadeiro Jeroen van Aeken, foi um dos mais extraordinários pintores de toda a história da arte europeia, não só por causa da sua revolucionária técnica de pintar (criando figuras com contornos bem marcados e não com a suavidade característica da pintura flamenga sua contemporânea), mas também por causa dos temas fantásticos que abordou em alguns dos seus trípticos. Não falta quem veja nestes temas fantásticos um reflexo da mentalidade mágica e supersticiosa do homem medieval, que seria a mentalidade do próprio Hieronymus Bosch. Assim, ele teria dado rédea solta à sua imaginação para retratar os terrores, delírios e pesadelos que assolavam o espírito dos europeus da sua época.

Seja como for, Hieronymus Bosch pode ter sido um homem do seu tempo, possuindo a mentalidade correspondente, mas a verdade é que, como artista, ele foi um revolucionário, um extraordinário precursor da pintura surrealista, que só viu a luz do dia quase 500 anos depois dele! É certo que o fantástico já fazia parte integrante da arte maneirista, que surgiu algumas décadas depois da sua morte, mas o fantástico maneirista não era nada, em comparação com o que a prodigiosa imaginação de Bosch materializou. Foi mesmo preciso esperar pelo séc. XX para que se visse surgir uma arte equivalente à sua no delírio, que foi a arte do Surrealismo.

Há em Portugal uma obra de Bosch que é a todos os títulos notável. É o tríptico As Tentações de Santo Antão, que faz parte do fabuloso espólio do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Não posso deixar de recomendar uma urgente visita a este museu, quanto mais não seja para admirar esta obra-prima de Hieronymus Bosch. Mas aqui reproduzo um outro tríptico, que de maneira nenhuma é inferior às Tentações... Está em Madrid, no Museu do Prado, e chama-se O Jardim das Delícias Terrenas.

No painel da esquerda deste tríptico, Bosch dá-nos uma sua visão do Paraíso. No da direita, retrata-nos o Inferno. No painel central ele representa o Jardim das Delícias propriamente dito, um lugar onde as pessoas se entregam alegremente ao prazer, sem complexos nem inibições. Uma das interpretações que este tríptico permite fazer é a de que, rompendo-se com a inocência do Paraíso (à esquerda), é através do pecado e da luxúria (ao centro) que se vai parar ao Inferno (à direita).

Peço-lhe que clique em cima da imagem para poder ver convenientemente o tríptico O Jardim das Delícias Terrenas, que Hieronymus Bosch pintou em 1504.